Little by little, I’ve been coming to the conclusion that I’m experiencing the infamous "midlife crisis". Mind you, that term feels "heavier" than saying a "30s crisis" or "40s crisis." It carries the implication of being "halfway through life," and I think that’s the main topic this crisis unconsciously tackles. This feeling that you’re at the midpoint of your life has several angles to consider, including many inconsistencies and cognitive distortions, and I think it’s worth analyzing it freely here.

I'm thirty-seven years old. This isn't meant to be repetitive (I literally said this in my last post), but it’s just to establish a baseline for where I'm coming from. I've been observing myself having a series of intrusive thoughts about finitude, about the "fear of death." But it's not really a fear of the end itself, but rather the feeling of how bad it will be for those left behind. You know that for a few people, you are an important support, and based on all the losses you've experienced, you know how that echoes.
On top of that, perhaps with more immediacy, there is this voracious, almost destabilizing worry about the urgent need for a minimal, solid financial foundation (which is simply volatile and unlikely these days, at least here in Brazil). The combination of economic insecurity and the pathological fear of my own end (which I admit stems not just from the existential midlife crisis itself, but also from my hypochondria) forms an almost mythological monster.

I wouldn't have naturally arrived at the "midlife crisis" concept on my own, because it just feeds the idea of being at the halfway point. Consequently, it feeds the idea of being "at the top of the mountain," which in turn means knowing the rest is all downhill. This all has countless possible interpretations, many of which I'd rather not even entertain given their intricate pessimism. But I'm going to focus on other angles of this observation.
Looking at it more microscopically, nothing is black and white, nothing is so abrupt. A person approaching the top will invariably start calculating their possible descent in advance; you don't need to reach the summit to start that rationalization. Therefore, the thought of "midlife" arrives before "midlife" itself. This has several embedded issues. First, there's no way to know the exact midpoint, to calculate the exact number of years a person will have (one can only suppose, and we have a good supposition that a person who reaches the end of life healthy usually dies after 65, and this varies by country, economy, culture, etc.). I confess I'd rather not dive into that subject to avoid psychological problems involving my hypochondria. But I like to think I have at least that "other half" left to live.
In other words: all the time it took me to get here, to this day, but experienced anew from here on out, with everything I've already gained. Obviously, this comes with certain side effects from life itself, minor damages to the system, but at least with a much more balanced and efficient mind (because the first half was often brutal).

For the Boomer generation, the concept of this crisis was much more tied to "trading in a wife/husband," buying a new, powerful car to feel young, and things like that. Naturally, none of this applies to Millennials, because we can't afford expensive cars, and for many of us, changing partners already happens like some bizarre roulette. Financial instability places us in a much more raw and sadistic survival mode, where all that's left is to experience life itself and keep stoically trying to survive and have a good journey in this second half. And that's what I've been trying to do. But never, ever losing steam, never losing desire and that "healthy greed."
Thanks for reading!
Thômas Blum
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Pouco a pouco tenho chegado a conclusão de que estou vivenciando a famigerada "crise de meia-idade". Notem bem, esse termo é meio que "mais pesado" que você dizer crise dos 30, ou dos 40. Porque ela dá uma impressão de "metade da vida", e acho que esse é o principal tópico abordado inconscientemente por essa crise. A sensação que você está na metade de sua vida, o que tem vários ângulos a serem observados e comentados, muitas incoerências e distorções cognitivas, inclusive e acho que vale uma análise disso de forma livre aqui.

Estou com trinta e sete anos e isso não é pra ser repetitivo (eu literalmente falei isso no meu último post), mas é só pra dar uma base de onde estou partindo quando observo-me tendo uma série de pensamentos intrusivos à respeito da finitude, do "medo da morte" (que na verdade não é medo do fim de si mesmo, em si, mas sim da sensação de quão ruim isso será para aqueles que ficam, sabendo que para alguns poucos, você é uma base importante e baseado em tudo que já passou diante de perdas, sabe como isso repercute). E acima disso, talvez em níveis de maior imediatismo, existe essa preocupação voraz, quase desestabilizadora pela urgência de uma mínima base financeira sólida (o que é simplesmente flutuante e improvável em dias como os de hoje, ao menos falando no Brasil). A combinação da insegurança econômica combinada com os medos patológicos do próprio fim (que confesso não advirem só da crise existencial de meia idade em si, mas também da minha hipocondria) formam um monstro quase mitológico.

Eu não chegaria por decisão própria no conceito de "crise de meia-idade" porque isso só alimenta mais a ideia de estar na metade, e por consequência de estar supostamente "no topo da montanha" e por consequência seguinte, de saber que o resto é só descida. E isso tudo tem inúmeras leituras possíveis, muitas das quais eu prefiro nem fazer dado o pessimismo intrincado presente. Mas vou focar em outros viéses dessa observação.
Olhando de forma mais microscópica, nada é 8 ou 80, nada é tão brusco. Uma pessoa que começa a chegar perto do topo invariavelmente irá começar a calcular sua possível descida antecipadamente, não é necessário chegar no cume para essa racionalização, logo, o pensamento sobre a "meia idade" chega antes da "meia-idade" em si. Porque aqui temos várias questões embutidas, primeiramente não há como saber qual é a metade exata, calcular o numero de anos exato que a pessoa terá (o que se pode é supor, e temos uma boa suposição que uma pessoa que chega saudável no fim da vida normalmente acaba morrendo depois dos 65, e isso varia conforme o país, economia, cultura, etc). Confesso que prefiro nem mergulhar nesse assunto pra evitar problemas psicológicos envolvendo minha hipocondria. Mas gosto de pensar que tenho aí no mínimo essa "outra metade" pra viver.
Em outras palavras: todo o tempo que levei até chegar aqui, no dia de hoje, mas novo, sendo vivenciado daqui pra frente, com tudo que já obtive. Obviamente com certos colaterais da vida em si, pequenas avarias no sistema, mas ao menos com uma mente muito mais equilibrada e eficiente (porque a primeira metade foi brutal muitas vezes).

O conceito dessa crise para a geração dos boomers era muito mais ligada a "trocar de esposa/ou esposo", comprar um carro novo e potente pra se sentir jovem, e outras coisas do tipo. Naturalmente nada disso se aplica aos millennials, porque eles não conseguem comprar carros caros, e as trocas de parceiros afetivos já acontece como numa espécie de roleta bizarra para muitos deles. A instabilidade financeira nos coloca em um esquema de sobrevivência muito mais bruto e sádico, onde meio que só resta experimentar a vida em si e seguir tentando de forma estóica sobreviver e ter uma boa jornada nessa segunda metade. E é o que eu tenho tentado fazer. Mas jamais, jamais sem perder o pique, sem perder o desejo e a "ganância saudável".
Obrigado pela leitura!
Thômas Blum
É mano eu to nessa ai também, to com 34 anos e parece que ta faltando algo. Já to tão cansado das coisas, sem animo para nada, tipo uma pressão pra fazer mais dinheiro as coisas não são faceis, uma sensação de que o meu tempo ta acabando... tenso demais.
É complicado ver o tempo passando tão rápido quando vamos ficando mais velhos. Eu vejo muito prazer e mais estabilidade hoje em dia do que nas "aventuras da juventude" mas essa porra de corrida infinita atrás do dinheiro cansa demais mano...
Desse jeito mano, é super desgastante chegar nessa idade e ainda ter que correr atrás de sobreviver kkk, tenso demais.
I understand you, I'm your age, and I too am experiencing this kind of crisis, partly due to the socioeconomic context not only of my country but also of the world; everything seems gray. I also suffer from hypochondria, and for this reason I'm treated with psychotropic drugs, so I'm sending you a hug because I know what it's like to suffer from hypochondria, that terrible, visceral fear of having any terrible disease, of dying, the constant visits that don't reassure, the compulsive internet browsing...
Exactly! These mental issues are torment! I have been treating anxiety and depression (all of which are probably reflections of my likely autism diagnosis), but anyway, I need to review my psychiatric treatment, because it's complicated. I've been through several treatments, but I end up stopping the medication after a year or two of use because the side effects are terrible and, over time, everything becomes kind of "dull, tasteless," anhedonia... Which, unfortunately, is part of the "side effects."
Anyway, stay strong, millennials, a generation that has seen the world change dramatically over the last 20 years. Thanks for commenting!
Obrigado por promover a comunidade Hive-BR em suas postagens.
Vamos seguir fortalecendo a Hive
Não entra nesse labirinto, hein? Que seja apenas um momento de reflexão (ainda que massivamente profundo).