Portuguese version below
It is common for me to periodically try to see my life from outside myself. I don't remember exactly when I started doing this, but I remember the phrase that impacted me and influenced me to always do this exercise when needed: "You have to leave the island to see the island. We don't see ourselves if we don't step out of ourselves." I admit that I have never even read a book by José Saramago, but this phrase entered me as easily as a pebble rolls in the sand of the beach when a wave passes over it.
It wasn't long ago that I did this exercise again, in fact, it has been a maximum of two weeks. I closed my eyes and simply waited for the memories to appear like a movie in my mind. What did I like when I was a child? How did I see the world? What did I want to be? While asking these questions, they were being answered, some clearly, others with a lot of fog arising from broken memories, making it impossible for me to understand. However, this last question, what did I want to be, was answered very quickly, even though it was the answer that impacted me the most during that day.
Archaeology. That's what I wanted, but if you want to know where that interest came from, I wouldn't be able to say. I never met any archaeologists in my life, and when I was a child, I only knew what it was because I saw it in movies, cartoons, documentaries, and so on. I found archaeology magnificent: having the possibility to know the ancient world through travels, excavations, adventures in deserts and forests around the world, who knows what I would discover? Maybe some fossils of animals that would have never been discovered if I wasn't there, maybe a cave that hid many secrets, I guess I will never know. It's notable that I saw everything with a lot of fantasy, especially because mystery and history have always deeply attracted me, and that's still the case today.

As I grew up, that dream job was left behind. I would like to say that it was left behind because I didn't have support at home, because I had to work at a very young age, or because I found a better-paying profession in Brazil and decided to start with it. But I would be lying if I said that. The truth is that I got distracted, and I got distracted for longer than I would have liked. Throughout my life until now, I tried a few things, but I never deeply enjoyed anything. I also developed a hard-to-break concept about academic life, and because of that belief, I didn't really try any college.
This year I turn 30, and I am rethinking dozens of things about my life. Some of them are dreams I left behind, and perhaps archaeology was one of them, but to be honest, I need to reflect a little more on that. Unfortunately, for me, it still feels a bit strange to listen to my previous self when it comes to something as serious as a new profession, something that would change my life forever. Funny enough, as I finish this text, I remember another phrase, this time from one of my favorite songs: "But I'm not so much of a child to know everything." Maybe little Aiuna indeed knew more about things.
É comum que periodicamente eu tente ver a minha vida de fora de mim mesma. Não lembro quando exatamente comecei a fazer isso, mas lembro da frase que me impactou e influenciou a sempre que preciso, fazer esse exercício: ‘’É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.’’ Eu admito que nunca li nem mesmo um livro de José Saramago, mas essa frase entrou dentro de mim com a mesma facilidade que uma pedrinha rola na areia da praia quando uma onda passa por cim dela.
Não faz muito tempo que eu fiz esse exercício novamente, na verdade, fazem no máximo duas semanas. Eu fechei os olhos e apenas esperei que as lembranças se mostrassem como um filme em minha cabeça. Do que eu gostava quando era criança? Como eu via o mundo? O que eu queria ser? Enquanto fazia essas perguntas, elas iam sendo respondidas, algumas com clareza, outras com muita névoa surgida de memórias quebradas, impossibilitando que eu entendesse. Porém, essa última pergunta, o que eu queria ser, ela foi respondida de forma muito rápida, mesmo tendo sido a resposta que me impactou durante mais tempo naquele dia.
Arqueologia. Era isso que eu queria, mas se você quiser saber de onde surgiu esse interesse, eu não saberia dizer. Nunca conheci nenhum arqueólogo na minha vida, e quando era criança, eu só sabia o que era porque via em filmes, desenhos, documentários e etc. Eu chava a arqueologia magnífica: ter a possibilidade de conhecer o mundo antigo através de viagens, escavações, aventuras por desertos e florestas do mundo, quem sabe o que eu descobriria? Talvez alguns fósseis de animais que jamais teriam sido descobertos se eu não estivesse ali, talvez uma caverna que escondia muitos segredos, acho que nunca vou saber. É notável que eu via tudo como muita fantasia, principalmente porque o mistério e a história sempre foi algo que me atraiu profundamente, e isso é assim até hoje.

Na medida que fui crescendo, esse emprego dos sonhos ficou para trás. Eu gostaria muito de dizer que ficou para trás porque não tive apoio dentro de casa, porque tive que trabalhar muito cedo ou porque encontrei uma profissão que pagava mais no Brasil e decidi começar por ela. Mas, eu estaria mentindo se dissesse isso. A verdade é que me dispersei, e eu me dispersei por mais tempo do que gostaria. No decorrer da minha vida até aqui, fui tentando algumas coisas, mas nunca gostei profundamente de nada, também criei um conceito difícil de quebrar sobre a vida acadêmica, e por causa dessa crença, não tentei de verdade nenhuma faculdade.
Esse ano eu faço 30 anos e estou repensando dezenas de coisas sobre minha vida. Algumas delas, são sonhos que deixei pra trás, e talvez, a arqueologia tenha sido um deles, mas para ser sincera, preciso refletir mais um pouco sobre isso. Infelizmente, para mim parece um pouco estranho ainda ouvir minha criança anterior quando se trata de algo tão sério assim como uma nova profissão, algo que mudaria minha vida para sempre. O engraçado, é que ao terminar esse texto, lembrei de outra frase, dessa vez, de uma das minhas músicas favoritas: ‘’Mas, não sou tão criança a ponto de saber tudo.’’ Talvez de fato a pequena Aiuna soubesse mais das coisas.
"...já não me preocupo se eu não sei por que as vezes o que eu vejo quase ninguém vê..."
Muito bonito isso de ouvir a criança interior! E fico pensando o quanto isso é praticamente apagado e massacrado pela rotina e mudanças de rumo da nossa vida, um pouco pela sociedade e um pouco por nós mesmos que vamos se desviando e saltando por sob o rumo da jornada. Penso que ao menos para mim, a adolescência teve um papel tóxico que fez eu atrasar e mudar de rumo por muito tempo. Mas lembro bem do meu sonho de quando era criança: Ser desenhista (histórias em quadrinhos), um pouco depois eu pensava muito sobre ser criador de jogos de video-game (esse sonho poderia ter sido um emprego de muita grana se eu tivesse me dedicado desde quando sonhei ele), agora estou com 35 anos, e apesar de eu trabalhar com arte (fazendo serigrafia) sinto que é meio tarde para mudar de profissão (pois estive pensando sobre aprender programação, simplesmente pelo dinheiro, eu confesso) mas se a ideia fosse: virar para começar a investir na ideia de produzir umas graphic novels, criar quadrinhos, arte, etc, bem que é possível eu dar essa atenção ao meu sonho de infância sem afetar meu principal projeto de sustento.
E quanto ao seu, amiga, apesar de ser uma profissão beem diferente, a arqueologia é muito mais necessária e interconectada com outras coisas do que podemos ver, certamente você acabara por descobrir que tem muitos rumos dentro da arqueologia que poderiam lhe agradar e são necessários. Se você tiver oportunidade de tentar, não vejo por que não, parece-me que isso poderia ser uma coisa ótima e que no mínimo, ia saciar seu coração.
Muito obrigada pelo apoio @thomashnblum!
Esse foi o meu problema também. Eu realmente acho muito bonito pessoas que desde adolescência são muito focadas e que não desviarem em nenhum momento de seus objetivos profissionais. Mas, no meu caso, sempre fui muito confusa e sensível. Acontecimentos externos tiveram uma grande influência em minha jornada, infelizmente. Mas honestamente eu não acredito que é tarde, nem pra mim, e nem pra você, porém o que nos falta é mais vontade... O único problema da idade é esse; a gente vai perdendo aquela energia de se entregar profundamente a algo, vai perdendo a esperança, rs. Mas, eu sei que ainda estamos jovens e dá tempo de realizarmos o que quisermos, nosso maior obstáculo, porém, somos nós mesmos.
Acho que so provando da pra ter certeza, vamos ver se no futuro não haja uma possibilidade né ?
Obrigada pelo apoio @gwajnberg
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When growing, we're hit by various dreams of what we could be. But when life happens, many of these dreams fade away. Archeology is one field that can be loads of fun. But if you're considering it as a way to make enough money to provide for a family, it might not be so easy.
Well the theme is dream work. My dream job has more to do with the experiences I'd like to have than money.