Geração burnout e a herança da jornada de 8 horas de trabalho

in #health5 years ago

Doenças ou problemas do século 21 parecem fazer jus a nomes diferentes. Falta de produtividade, baixa satisfação profissional e indiferença ao trabalho podem ser reconhecidos como Burnout, síndrome incluída na Classificação Internacional de Doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no último mês.

Reconhecer o esgotamento profissional é simples, tratá-lo um pouco menos, mas não impossível, considerando que existem até plataformas que usam inteligência artificial para acompanhar a saúde mental dos profissionais durante o trabalho.

Sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção podem ser os menos importantes sem compreender a origem da doença. Em 1974, a síndrome foi descoberta pelo médico psicanalista, Herbert Freudenberger, que descreveu o fenômeno como um sentimento de fracasso e exaustão causado pelo acúmulo de estresse no trabalho.

Encarar o trabalho como um vilão também não é a resposta de todos os males. Por isso, recapitular o seu modelo de implementação pode ser um caminho. Antes de tratar da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vale a pena recapitular sua jornada.

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Burnout significa esgotamento e faz analogia com a combustão de um carro

Burnout: desconhece produtividade e criatividade

As oito horas de trabalho diárias ou 48 horas semanais remontam às condições penosas da Revolução Industrial. Na época, o socialista Robert Owen resolveu equalizar a qualidade de vida com produtividade. A fórmula foi 8:8:8. Ou seja, 8 de trabalho, 8 de recreação e 8 de descanso.

Para os moldes do período, a solução poderia ser o melhor dos mundos, levando em conta a insalubridade, falta de fiscalização e, sobretudo, o próprio modelo de trabalho, pautado em uma padronização, onde se exigia nada além de produtividade.

Com o tempo, mais de 200 anos depois, esse formato parece totalmente ultrapassado em um cenário em que cada vez mais atividades dependem da criatividade. Ao contrário de produtividade desenfreada, terrenos férteis demandam períodos de descansos mais eficazes e flexíveis. As “eurekas” da vida costumam vir em dias de ócio ou pelo menos distantes de perturbações e estresses.

Tecnologias de hoje, modelos de ontem

A herança da jornada de oito horas também não reflete a sociedade dos dias de hoje, diante das novas tecnologias que facilitam um milhão de coisas, as discussões sobre trabalho remoto, nomadismo digital e tantas outras ideias disruptivas.

Apesar de todas essas inovações, a proposta original permanece. O descanso ou lazer nas 16 horas restantes representa um fracasso desde que a população aumentou o seu tamanho e, consequentemente, o seu tempo de deslocamento, onde a maioria é praticamente obrigada a trabalhar no horário comercial. Não é de hoje que as calculadas horas de trabalho viraram 10, 11, 12 horas fáceis.

Depois dessa breve apreciação sobre o fadado e ultrapassado modelo de trabalho, algumas questões para refletir

Quantas vezes você ficou sem fazer nada no seu serviço? E se nesse período pudesse ir embora para fazer algo criativo ou apenas descansar?

Você poderia controlar o seu horário e afazeres, já a empresa economizaria sua infraestrutura.

Obviamente, nem todas as atividades permitem isso ainda. No entanto, será mesmo que precisamos ficar presos nas oitos horas do século 19, em tempos de internet em que até transações financeiras são feitas sem intermediários?

Parece que chegou a hora de mudar e criar um novo termo, dessa vez, positivo.

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